Conhecer alguém num só contexto específico não é conhecer. Ando num ginásio onde vou apenas à aula de pilates e no meio da turma sou mais próxima de três raparigas. A nossa relação bastante amistosa resume-se a duas de treta no final da aula enquanto arrumamos os sacos.Reparamos que temos bastante coisas em comum: amigos, gostos musicais, percursos semelhantes na escola,... que preenchem as nossas conversas superficiais e são suficientes para manter a aproximação cordial, simples, desprendida mas simpática. Há dias estava na treta com elas e um diz que um dia acordou e apeteceu-lhe pintar o cabelo de vermelho. Eu fiquei muito admirada! Não pelo facto de pintar o cabelo mas sim pela espontaneidade da acção, que julgava eu nada ter a ver com aquela que me parecia a mais "rígida" das quatro. Outra aproveitou a confissão e disse também ter feito um piercing no nariz (buraco nem vê-lo!). Novamente, o meu queixo caiu. Esta que é extremamente politicamente correcta, cheia de estereótipos, admitiu ter passado por uma fase mais hippie, que agora "nem sabe como foi possível! Que horror!".
Todos nós passamos por fases que mais tarde pensamos "como é que fui eu fazer aquilo?", mas sempre achei que essas atitudes deixavam marcas na nossa forma de ser e ver o mundo e que essas marcas seriam percpetíveis aqueles que tivessem contacto connosco. Por isto, esperava que o cabelo vermelho e o piercing não me surpreendessem assim tanto, mas a verdade é que o fizeram.
